4.1.07

Personagens de Verão

A equipe do Ao Cubo foi à Praia do Farol da Barra para saber a opinião das pessoas sobre o verão. O que elas gostam de fazer, o que mais combina com a estação, os amores, as histórias, os “causos”. Logo abaixo você encontra opiniões despidas de qualquer pudor e com a descontração que pede à estação do sol. Leia, divirta-se. E você? Que histórias de verão tem pra contar? Se a coisa for imprópria pro horário e você não quiser se identificar, tudo bem, mas lembre-se: o que vale é a história, e nosso blog já nasceu sem pudores e já atingiu a maioridade.

Abraços!



Nome: Júlio Quesada

Profissão: Aposentado

O que combina com o verão? : O verão combina com descanso, sonhar. Não pode faltar amor no verão.

História de verão: “Passei o último verão no Rio de janeiro, conheci uma carioca em búzios, foi muito bom, uma inspiração, a melhor coisa que passou em minha vida”

No verão... : As pessoas ficam mais abertas aos relacionamentos no verão, pelo sol mesmo, o corpo precisa muito da energia do sol, no inverno ficamos mais tristes, precisando do sol, o sol é vida, vida é amor.



Nome: Jorge da Silva

Profissão: Vendedor de bebidas na paria

O que não pode faltar no verão? : É amor no coração e cerveja gelada

No verão... : Aqui na praia a gente trabalha, mas se diverte



Nome: Carlos Roberto Francisco de Jesus

Profissão: Vendedor de bebidas na praia

O que não pode faltar no verão? : Cerveja, água de coco, refrigerante, bebidas em geral.

História de verão: Hoje mesmo (03/01/07) vendi uma água de coco e a pessoa foi embora sem me pagar

No verão... : Os gringos que vem aqui na praia gostam de tomar caipirinha e dizem que as brasileiras são muito bonitas e gostosas. Mas, aqui em frente a minha barraca nenhum conseguiu nada. Para eles aqui na praia só falta banheiro público.

Amor de verão: Uma mineira que está hospedada em um hotel aqui perto se engraçou para mim, tenho esperança dela voltar aqui na praia antes de ir embora.


Nome: Omar Leoni Silva

Profissão: Estudante

O que combina com o verão? : Praia, piscina, skate, reunião em família, um barzinho.

No verão... : A companhia é fundamental. As pessoas expõem seus corpos, as meninas começam logo a piscar.

História de verão: Tenho poucas histórias de verão, afinal as minhas desbravações começaram à pouco tempo. Mas, minha amiga Geane tem uma historia. Ela estava observando um cara urinando no banheiro público, aí o cara saiu, deu uma cantada nela e ela resolveu dispensar o rapaz” “ Segundo ela o rapaz não era bem dotado, tinha uma besteirinha.

No próximo verão... : Eu espero que a minha turma esteja junta. Afinal, meus amigos viajam muito.

1.1.07


Caro leitor,

Janeiro é um mês muito significativo para nós do Ao Cubo. Significativo porque é nesse mês que comemoramos o nosso primeiro ano de existência, e também porque é verão e nessa estação as pessoas ficam mais felizes, mais dispostas a pular de bang jump ou a dar um simples beijo na boca. Já havia notado a semelhança entre a 3° pessoa do plural do verbo VER no Futuro do Presente( eu verei/tu verás/ele verá/nós veremos/eles VERÃO) e a palavra “Verão”, a que designa as estações do ano que sucede a primavera e antecede o outono? Pois é, a mais coisas em comum entre elas do que se possa imaginar. As duas indicam algo que ainda não foi realizado, que ainda está por vir e que, com certeza, promete! E é nesse sentido que preparamos uma programação diferente para esses dias de verão. Vamos contar causos, histórias, ouvir a opinião de vocês sobre o verão: O sorvete que manchou sua blusa, o amor mais quente, o “porre” inesquecível, a viajem marcante.

Para esses meses o blog fica mais interativo e talvez isso se torne uma característica fundamental daqui por diante, para quem gosta de mudanças o Ao Cubo será um prato cheio, ou uma taça cheia, ou um copo cheio, como queiram... 2007 será um ano diferente e essa diferença passa por você e você passa por aqui (assim esperamos).

Aproveitamos também para comemorar um ano no ar. Já escrevemos aqui sobre amores, depressão, samba, sons, ruídos, egos, mentiras, verdades, chuva, tédio, cor, arte, sobre gente que existe e gente que nunca existiu. È importante que vocês saibam o carinho e o respeito que temos por esse espaço, ele se tornou a menina dos nossos olhos (como nos acostumamos a chamá-lo). Escrever para o Ao Cubo é escrever de forma mais leve, menos sisuda, mas nunca com menos seriedade. É poder levar nossas impressões de mundo para quem lê... Ah, e antes que nos esqueçamos, o nosso MUITO OBRIGADO a todos que por aqui passaram com comentários ou que nunca comentaram, mas que fazem questão de olhar sempre às novidades postadas. Pelas críticas positivas, pela divulgação boca a boca, pelo reconhecimento, muito obrigado de verdade. Entre, fique a vontade e não repare a bagunça! Afinal, é Verão.

A equipe do Ao Cubo

13.12.06

por Artista?Quem?


Meteorolozofia


Texto escrito na semana de 16 à 23 de outubro de 2006.


Não pára de chover em Salvador. Numa cidade litorânea como essa a chuva cria um desconforto duplo: 1°, devido a falta de adequação da cidade ao enfrentar “temporais” como o de agora e 2°, pelo fato de que está sempre latente no imaginário popular que na Bahia nunca chove, e que naquele momento poderiam estar na praia (embora a maioria tenha mesmo é que trabalhar!).
No percurso que faço de casa até a faculdade (boa parte da orla marítima da cidade, da praia de Piatã ao porto da Barra) observo um céu escuro, pessoas tentando se proteger da chuva com agasalhos e guarda-chuvas, ciclovias comumente lotadas de bicicletas e pedestres agora vazias, barracas de praia às moscas e um trânsito engarrafado a minha frente me levam a concluir que embora incômoda pra muitos em determinados momentos, a chuva tem sim sua função! Não, não pense que falo da sua colaboração com a natureza, o ar, as plantas, etc... Não é isso. Ela nos faz lembrar que não podemos ter controle sobre tudo. Que estamos sujeitos a algo ou a alguém.
Não sei se por Id, ego, ou incontrolável avanço, estamos sempre tentando controlar as coisas à nossa volta, como o controle remoto da TV, carros, pessoas, horários, o próprio corpo, a comida, matérias primas, remédios, etc. E inevitavelmente, o homem como ser participante de uma sociedade - seja ela qual for – está sujeito a inúmeras relações de poder e controle: Pai/ filho, Professor/ aluno, Patrão/ empregado, Médico/ paciente, e assim por diante.
Acredito que a chuva vem justamente pra “desorganizar” essas relações de poder e colocar nossos “pés-no-chão” quanto ao fato de sermos todos da mesma matéria, mostrar que ela molha tanto a mim quanto a você. É como estar nu. Sem roupas e adornos (que por si só também já estabelecem uma relação de poder) somos todos (+ ou -) iguais.
Há quem prefere se render às forças da natureza do que lutar contra ela. Dançam, jogam bola, correm na praia, lavam roupa, beijam na chuva... Também prefiro compactuar com ela, aproveitar o “barulhinho bom” da chuva na telha, um bom café, uma rede com um bom cobertor, um bom livro, uma boa música, ou escrever um texto curto como este, afinal, o sono já vem chegando e nada melhor do que dormir com chuva...



ILUSTRAÇÃO: fotografia de Spencer Tunik

13.11.06

por Walker Cubano



Senhor Samba

Já não me sinto mais só, tenho ao meu lado o violão
Tristeza, mágoas e sofrimentos trago mais não
Mesas de botecos, um bom papo, caixa de fósforo
Chapéu e roda de samba, petisco e cerveja gelada
Cenário de meus vícios, olhos marejados de felicidade, canta canário
Vitrola toca Bezerra, alma toca amor, desprezado por ela
O samba me salva, o samba me salvou
Eu sei das coisas, sei de coisa nenhuma, só sei do samba
O samba me salva, o samba me salvou
Ele cura as mágoas, o tempo e a dor
Saravá ao senhor dos ritmos e cadências, de pandeiros e tan tans
Das tardes ensolaradas e das noites intermináveis também
Das rodas, dos tempos, da boemia e da eternidade
De Cartola, Noel, Bezerra, Donga, Clementina e Nelson Cavaquinho
O homem todo de branco, o cigarro no canto da boca, o sapato e o chapéu
Reverências à malandragem, reverências ao senhor, reverências aos mestres
Sobe e desce o morro, o morro dos meus sentimentos, morro das minhas devoções

Saúdo e venero o samba
O samba me salva, o samba me salvou
Ele cura as mágoas, o tempo e a dor
Perdão se erro ou se errei, mas, é que sem ele não sei viver
É que nasci por lá, me criei nas ruas e nos botequins
Nas praças e esquinas, nos cabarés e no colo das meninas
Vivo e viverei por ele, perdão se erro, perdão se errei
Eu sou o samba, ele me salva, ele me salvou
Ele cura as mágoas, o tempo e a dor




ILUSTRAÇÃO: Artista?Quem?

23.10.06


por .g

céu de areia, céu deserto (transtorno bipolar)
sou um deserto na noite
gélido
com uma miragem pra me desviar da realidade
mil camelos pisoteando minha superfície
sem oásis para um breve revigor
cada grão de areia em mim equivale a uma estrela do céu nublado que vejo agora
lá estou
meu corpo é o céu
em queda livre
célula por célula
estrela por estrela
cometa por cometa
planeta por planeta
meteoro por meteoro
atmosfera por atmosfera
como saber por qual meio me guiar?
caio
levito
e me encontro
agora sou um só
ponto
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Então, depois de algum tempo de um certo chá que vinha eu tomando (de uma erva cujo nome, se a memória não me falha, é sumiço) decidi voltar. E volto postando um escrito que viria a ser a 2ª parte da série de textos megalomânos pseudo-caeirianos do tipo 'eu sou a natureza, eu sou as flores e as árvores e os montes e o sol e o luar e, por conseguinte, digo logo que sou Deus'.
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Umas linhas sobre a ilustração:
"Chuva de meteoros ilumina o céu do deserto próximo a Amã, na Jordânia. Conhecidos como estrelas cadentes, os meteoros são grãos de rochas soltos no espaço. Quando batem na atmosfera da Terra e atravessam a camada de gases que protege o planeta, eles se aquecem e desmancham no ar, formando um risco de luz ." (Folha de S.Paulo, 12/08/04)